Esta é a pergunta que não quer calar em nossos dias, não é mesmo?! Afinal, o dízimo de Malaquias 3:10 é válido para a igreja cristã? Quem pode nos dar essa resposta? Claro, a própria Bíblia Sagrada!

Por isso, vamos concluir pela própria Bíblia, examinando seu contexto (pois como você deve saber, texto sem contexto é pretexto para heresias).

Deus disse através do profeta Malaquias:

“trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa…” (Malaquias 3 10)

As perguntas que devemos saber a respeito deste versículo são:

1) De que dízimos Deus estava falando?

“E todos os dízimos da terra, quer da semente da terra, ou do fruto da árvore são do Senhor; santas são ao SENHOR. E se um homem quiser resgatar de seus dízimos, acrescentará a sua quinta parte sobre ela.

E acerca dos dízimos do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, a décima parte será santa ao SENHOR. Ele não procurará entre o bom e o mau, nem o trocará; e se ele o trocar, então tanto ele como o trocado serão santos; não serão resgatados.” (KJFiel Lv 27:30-33)

2) De que casa do tesouro Deus estava falando?

Das câmaras que haviam no templo de Jerusalém, usadas para armazenar o dízimo das colheitas e os utensílios do templo. Nunca se referiu às tesourarias das igrejas!

“e para que trouxéssemos aos sacerdotes, para as câmaras da casa do nosso Deus, os primeiros frutos da nossa massa, e das nossas ofertas, e dos frutos de toda a sorte de árvores, do vinho, e do óleo; e os dízimos do nosso solo aos levitas; para que eles, os levitas, pudessem ter os dízimos em todas as cidades da nossa lavoura.

E o sacerdote, o filho de Arão, estará com os levitas, quando os levitas receberem dízimos; e os levitas trarão o dízimo dos dízimos à casa do nosso Deus, até as câmaras, à casa do tesouro.

Pois os filhos de Israel e os filhos de Levi trarão a oferta do milho, do vinho novo, e do óleo, até as câmaras, onde estão os vasos do santuário, e os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores; e nós não abandonaremos a casa do nosso Deus.” (KJFiel Ne 10:37-39)

3) Para quem eram esses dízimos?

Para os levitas, confira:

“E eis que dei aos filhos de Levi todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu serviço que executam, o serviço do tabernáculo da congregação. … Mas os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado como herança aos levitas; portanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel não tereis nenhuma herança.” (KJFiel Nm 18:21,24)

Em certa ocasião, na época de Neemias e Malaquias (séc. 5 a. C.), os levitas não estavam recebendo os dízimos para seu sustento e por isso, tendo que ir para o campo trabalhar para providenciar seu alimento, abandonavam as atividades do templo de Jerusalém (cf. Ne 13:4-12).

4) Esses dízimos eram dinheiro?

Como vimos nos textos já citados acima, não; o dízimo da Lei de Deus, o dízimo bíblico, nunca foi em dinheiro! (Lv 27:30-33; Dt 14:22-29)

Mesmo já havendo dinheiro na época em que a lei dos dízimos para Israel foi criada e sendo este usado para muitas coisas, o dízimo, entretanto, não foi ordenado por Deus ser dado em dinheiro, pois este era usado para prover o alimento de quem não tinha condições de tê-lo com seu próprio trabalho (Dt 14:23-26; 26:12; Êx 12:44; 21:29-35; 22:7, 16-17,25; 30:11-16; Lv 22:11; 25:47-51; 27:14-15, 18-20; Nm 3:45-51; 18:15-16; Dt 2:4-6; 21:14).

5) Os apóstolos ordenaram converter o dízimo do AT em dinheiro e usaram da doutrina do dízimo na igreja?

Não, nunca!

Lemos em Atos 5:3,4, por exemplo, que o apóstolo Cefas (Pedro) não cobra dízimo de Ananias quando este apresenta a ele o dinheiro da venda de sua herdade, fato simples que comprova a inexistência da doutrina do dízimo sendo pregada pelos apóstolos de Cristo, do contrário ao que acontece hoje em dia, pois é até pensamento comum dentre os cristãos que se vendermos qualquer coisa devemos dar 10% do dinheiro daquela venda como dízimo “a Deus”.

O apóstolo, no texto citado acima, faz duas perguntas a Ananias, depois que este leva parte do dinheiro para ser doado, alegando que era o valor inteiro, ele diz:

Por que encheu satanás o teu coração para que mentisses ao Espírito Santo … Guardando-a [a propriedade] não ficava para ti?

Isto é, ninguém te obrigou ou te pediu que vendesse a propriedade, se a guardasse, ela continuaria sendo sua sem problema algum.

E, após ser vendida, não estava [o dinheiro] em teu próprio poder?
Ou seja, ninguém te pediu para doar o dinheiro, você poderia fazer dele o que quisesse, pois era seu. Se quisesse doar tudo, que doasse, se metade, que assim fosse… só não precisava inventar mentira.

Por que então a grande maioria dos líderes atuais afirmam que, se vendermos alguma coisa, somos obrigados a dar 10% daquele valor “a Deus”, para não incorrer no erro de roubá-lo? E de onde tiraram a afirmação que devemos devolver o tal dízimo para Deus? Continue lendo e responda então para si mesmo.

6) Os apóstolos ensinavam que a bênção de Deus em nossa vida material era através do dízimo?

Não!

“O meu Deus, suprirá todas as vossas necessidades, segundo as suas riquezas, em glória, por Cristo Jesus.” (KJFiel Fp 4:19)

“Manda aos que são ricos neste mundo que não sejam altivos, nem confiem na incerteza das riquezas, mas no Deus vivo, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos;” (KJFiel 1Tm 6:17)

7) Jesus Cristo ensinou isso?

Não! Nunca.

Confira Mateus 6:25-33; Lucas 22:35.

“Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?” (ACF’11 Mt 6:30)

8) Os pais da igreja cristã dos primeiros séculos ensinaram a dar o dízimo?
Não!

Um deles, Irineu, bispo de Lyon, em sua principal obra intitulada “Contra as Heresias”, escrita por volta do ano 180 d.C. disse:

“… E, em vez da lei que ordena a entrega dos dízimos, [Ele nos disse] para compartilhar todos os nossos bens com os pobres” (Contra Heresias IV.13.3).

“E por isso eles (os judeus) tinham de fato os dízimos de seus bens consagrados a Ele, mas aqueles que receberam a liberdade, puseram de lado todas as suas posses para os propósitos do Senhor, dando alegremente e livremente não as porções menos valiosas de sua propriedade, uma vez que eles têm a esperança de coisas melhores [futuramente]. (Contra Heresias IV.18.2)

9) Se é assim, quem introduziu a doutrina do dízimo na igreja cristã então?

A igreja católica romana da Idade Média, no século 6, começando no concílio de Tours (região da França) em 567, quando ordenaram a todos os crentes que se não dessem os dízimos de suas posses à igreja, como “Abraão deu”, não reinariam com Cristo (isto é, não seriam salvos). Documento 8 CNBB.

Os concílios subsequentes (em 585, em Macon, região da França, e nos 3 concílios de Latrão, no século 12) foram ratificando e impondo tal doutrina à igreja cristã, de tal maneira que foi aceito como doutrina neotestamentária.

Muitas denominações de igrejas evangélicas que surgiram após a reforma protestante (séc. 16) simplesmente trouxeram esse pacote doutrinário em sua bagagem, como se fosse uma herança doutrinária e como se o dízimo de Malaquias 3 10 tivesse se “atualizado” para a forma em dinheiro que conhecemos hoje.

10) Quem tornou o dízimo da Bíblia em dinheiro?

A igreja católica romana, com ajuda do imperador Carlos Magno, século 8. Nesta época, quem não pagasse o dízimo à igreja, seria multado pelo Estado.

A prática foi se difundindo e outros líderes de Estado, em diversas regiões européias, também entraram na jogada. No Brasil, isto perpetuou-se até a época da República, quando o Estado recebia os dízimos e repassava os valores para a igreja católica.

Mesmo com a chegada da República por volta do século 19, a prática de cobrar dízimos e a deturpação doutrinária e teológica do dízimo de Malaquias 3 10 introduzida no evangelho de Cristo, continuou a ser praticada, até pelas igrejas evangélicas, mesmo tendo os apóstolos cristãos ordenado que não se guardassem mais os costumes da lei de Moisés (At 15:19-29), mas antes contavam sempre com a contribuição voluntária e espontânea dos irmãos para fazer a obra de Deus, o que funcionava muito bem (At 11:27-30; 2 Co 8:1-8; 1 Co 16:1-2).

Até aqui, como vemos, devido seu novo nascimento, é natural que os cristãos queiram contribuir voluntariamente, cada um de acordo com suas possibilidades, para a obra de Deus, e os pastores, por sua vez, não devem ficar pregando meias-verdades aos cristãos, mas dedicarem-se para ensinar a caridade, liberalidade e generosidade cristã com mais profundidade, e com integridade.

“Em todas as coisas, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã, que não pode ser condenada, para que os que são de oposição possam ser envergonhados, não tendo nenhum mal que dizer de vós.” (KJFiel Tt 2:7-8)

Conclusão acerca do dízimo de Malaquias 3 10.

Por que nossos líderes nos cobram o dízimo hoje então, baseados neste texto?

Como você pode notar desde os primeiros tópicos aqui neste estudo, estão pregando o dízimo de Malaquias 3 10 completamente fora de contexto, e fazendo imposições a você. Por qual motivo, prefiro que você conclua por si mesmo…

Examine o caráter, a integridade e o trabalho deles, assim como o valor de seus salários e benefícios, e tire então suas próprias conclusões.

“Porque o bispo deve ser irrepreensível, como administrador de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de lucro imundo;” (KJFiel Tt 1:7)

 

Fonte: Bíblia que Ensina 

O Leão de Judá
Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho. (g49:8)

COMENTÁRIOS