Você já teve um encontro pessoal com Jesus?

Você mantém um relacionamento pessoal e constante com Jesus?

Você apresenta Jesus aos seus amigos ou apenas os informa a respeito dele?

As respostas a essas três perguntas denotam se somos amigos de Deus ou se apenas temos muitas informações (ainda que corretas) sobre ele. Ser informado sobre alguém não quer dizer que o conhecemos pelo relacionamento. Há quem aprecie muito um gênero de literatura que é a biografia e através dela se informe sobre muitas pessoas, em sua maioria celebridades já falecidas. Evidentemente que tal conhecimento não caracteriza a existência de relacionamento com os biografados. O leitor mantém contato apenas com as informações a respeito de determinada pessoa, não se estabelecendo qualquer vínculo de relacionamento.

Muitos iniciaram sua vida cristã com base em um autêntico encontro pessoal com Jesus. No entanto, com o passar do tempo, ativeram-se mais à literatura sobre ele e passaram a conhecer muito a Bíblia, mas esse conhecimento não foi acompanhado pelo desenvolvimento de um relacionamento constante com o seu Autor. Estas pessoas passaram a deter informações corretas e as transmitiam com tanta convicção que ninguém ousaria cogitar que não mantivessem um relacionamento intenso com o Autor.

Pode passar despercebido, mas há o risco de adotarmos a literatura sobre Jesus como intermediária em nosso relacionamento com ele e, assim, nos satisfazermos apenas com as informações a seu respeito. Uma vez que isso acontece, a literatura assume um papel preponderante e enganosamente praticamos um tipo de evangelismo reduzido a somente informar sobre Jesus. Contentamo-nos com a transmissão de certas verdades sem nos preocuparmos se os informados iniciaram um relacionamento pessoal com Jesus.

Aos poucos, isso vai causando certa indiferença e dá a sensação de dever cumprido quando se transmitem as informações. Notamos hoje uma abundância de pregações com esta característica. Pregadores falam do Evangelho com muitas e variadas motivações – principalmente a de tornar Jesus alguém muito conhecido, imaginando como resultado salvar as almas do inferno. Isso vai constituindo uma multidão ávida por escapar do inferno, que não titubeia em pagar o preço (literalmente!). Tais pregadores são como emissários que têm um compromisso apenas com a mensagem e não com o Autor dela. Inconscientemente, a transmissão é feita de forma impessoal, e vão se estabelecendo compromissos com empreendimentos que transformam a evangelização num serviço automático, despessoalizado, a exemplo daquele que as máquinas executam numa fábrica. Evidentemente que os recursos de mídia favorecem muito essa situação porque potencializam a comunicação.

Informação comprometida apenas com a mensagem e descomprometida com o Autor não é evangelização, mas propaganda. Dessa forma, a pessoa de Jesus é reduzida a um mero produto de consumo moderno para o bem-estar de quem o adquire. Esse tipo de pregação despessoalizou Deus.

Apresentando o Amigo aos amigos

Precisamos lembrar que o “programa” de discipulado de Jesus teve como meta fazer com que seus discípulos se tornassem seus amigos, sendo também amigos entre si. Jesus não estava preocupado em transformá-los em pessoas eloquentes na comunicação, habilidosos administradores de empreendimentos, empresários da fé bem-sucedidos financeiramente etc.

Para que se tornassem amigos de Jesus, era preciso que aprendessem a amar. Foi assim que Jesus concluiu o curso de discipulado, algo bem patente ao indagar de Pedro se este o amava, antes de qualificá-lo ao ministério (Jo 21:15-23). João, o discípulo amado, também testemunha ter obtido este aprendizado quando afirmou que não se pode amar a Deus a quem não vemos, se não amarmos o irmão a quem vemos (1 Jo 4:20-21).

É importante notar que da multidão Jesus escolheu os seus discípulos e, dentre eles, constituiu os apóstolos, aos quais, ao final, chamou de amigos. Portanto “amigo” é a consideração mais elevada de Jesus e que qualifica ao ministério. Não somos apenas portadores de uma mensagem ditatorial, mas aqueles que apresentam o Amigo aos seus amigos. Ao nos enviar por todo o mundo para fazer discípulos, Jesus também nos acompanha, na expectativa de que o apresentemos. Portanto, o programa de discipulado que Jesus nos legou consiste em fazer discípulos que se tornem amigos nossos e dele. Logo, a pregação jamais poderia ser algo impessoal. Ao contrário, tem que ser revestida de total pessoalidade.

A experiência da igreja que surgiu em Jerusalém é fruto dos seguintes passos: Jesus ensinou a sua amizade a onze pessoas. Estas nuclearam um grupo de cento e vinte por 10 dias, numa casa em Jerusalém. Por sua vez, estas cento e vinte pessoas nuclearam a primeira grande comunidade que surgiu a partir do primeiro Pentecostes pós-ressurreição de Jesus, que contava com três mil convertidos. Logo essa quantidade foi aumentando com a inserção de novos salvos e também se espalhando por outras cidades.

Podemos verificar que os laços de relacionamentos pessoais eram determinantes para a compreensão das Escrituras. Para que tivessem convicção de que tudo que estava acontecendo era obra do Espírito Santo, firmavam-se também no que conheciam dos amigos. Quando Pedro resolveu batizar os da casa de Cornélio (At 10), considerou aquelas pessoas acima das convicções doutrinárias que ele possuía como judeu. O mesmo se deu no concílio de Jerusalém em relação à inserção dos gentios em geral na Igreja (At 15).

Precisamos retomar, em nossa evangelização, a pessoalidade perdida nas instituições. Duas ferramentas são bem práticas para isto:

As “Habilidades Sociais Cristãs” e os “Projetos Comunitários Informais”

Por “Habilidade Social Cristã” podemos entender a forma de agir com as pessoas, tendo como maior exemplo disso o próprio Jesus. Notamos que ele se movia por compaixão e fé para atender os que necessitavam. Portanto estas são duas habilidades, entre outras (por exemplo, empatia, doação, disponibilidade, hospitalidade, humildade etc.), que devemos incluir em nosso caráter.

Por “Projeto Comunitário Informal”, estamos considerando os possíveis recortes que podemos fazer nos Evangelhos, de modo a compreender cada fato isoladamente como se tivesse um fim em si mesmo. Por exemplo, o episódio de Jesus com a mulher adúltera (Jo 8:1-11), com a samaritana (Jo 4:1-42), com Zaqueu (Lc 19:1-10), com o jovem rico (Mc 10:17-31) etc. Cada um desses eventos mereceu uma dedicação completa de Jesus. Para agirmos de maneira semelhante, não precisamos de um planejamento antecipado e detalhado e grandes recursos, por isso é que se fala em “projeto informal”. E ele é “comunitário” por duas razões: deve ser feito em companhia de mais alguém e a favor de pessoas.

Que venha sobre nós uma nova unção de Deus, de maneira a olharmos para a Sua seara e enxergarmos as pessoas claramente, de modo distinto, e não como árvores que andam (Mc 8:22-26)! E que encontremos nelas o Deus pessoal que se revela em Cristo Jesus!

PUBLICADO POR: Pedro Arruda

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