Há um grande chavão no rol dos provérbios populares que diz que só se sente falta quando se perde. É um argumento vulgarmente usado e muitas vezes empregado em dramas de chantagem emocional para tentar sensibilizar a pessoa amada. Mas, na vida real, tem hora que se cansa de sofrer, tem horas que o clamor chega aos ouvidos de Deus com uma insistência dolorosa, de uma alma sedenta de libertação. E Ele manda o refrigério, a força que rompe cadeias. Daí acontece. A pessoa que sofreu por tanto tempo tentando consolidar um relacionamento que não floresceu perde o encanto, cansa de viver pelas beiradas da vida e decide seguir em frente. Sozinha.

A menina se redescobre leve e feliz. O rapaz se respondera, forte e capaz. E vice versa.

Essa pessoa é você.

Então, o seu objeto de amor que antes te desprezava, sente falta. E sofrerá menos se descobrir que é apenas orgulho ferido, e não amor. O orgulho de pensar: “Como assim? A pessoa que era submissa ao meu desprezo resolveu andar sozinha? Como assim? A pessoa que bajulava a minha perversidade de abandoná-la às próprias carências e insatisfações de mim resolveu que pode viver sem pisar os meus passos, sem respirar o meu ar e sobreviver sem a minha presença? Não, não posso admitir”. E volta a te procurar, querendo beber do viciante néctar da sua fraqueza que lhe empodera, que lhe alimenta com o caldo grosso de refém que você era, mas não é mais. Essa pessoa que era o seu amor vai sofrer um pouco, até descobrir que realmente você não precisa mais viver assim, e renasceu. Ela vai superar.

Mas sofrimento mesmo viverá aquela pessoa que descobrir que realmente te ama e agora só te vê ao longe, dobrando a esquina, para nunca mais voltar. O coração dela vai sangrar quando perceber que não tem ninguém que a ama como você amava. Que não tem mais o seu apoio nos momentos difíceis a qualquer hora em casa e o telefone sempre disponível. Quando ela não sentir mais aquela segurança de quem está protegida em casa numa noite fria e chuvosa. Quando perceber que não chega mais aquele whatsapp no meio de um dia qualquer dizendo que a ama, e que não tem mais a dedicação apaixonada de alguém.

Então, os olhos dessa pessoa vão marejar, quando constatar que apesar de tudo isso, nunca te fez se sentir importante. Ela vai realmente saber que te ama quando você não amar mais, não ligar mais no aniversário, nem dividir segredos e memórias. Ela vai perceber quantas vezes você a perdoou de coisas que te trouxeram grande sofrimento e não vai mais receber uma mensagem no fim da noite perguntando se ela chegou bem. Ela vai rememorar em quantos pedaços conseguiu partir o seu coração e que não é mais presente o timbre da sua voz.

Ela vai cair em si. Ela vai olhar pra dentro de si mesma. E então, vai ver seu peito chorar. Ao saber que teve o amor ao lado, buscando pelos seus olhos, pelas suas mãos, pelo mínimo de sua atenção amorosa em momentos de fragilidade e simplesmente ignorou, achando que você era figurinha certa no contexto da vida dela.

Mas agora, ela só vê você indo embora, com força de viver, com uma abertura enorme para o amor que você tanto idealizou nela, que agora está ficando pra trás.

Agora é tarde, você não ama mais, você se cansou de adiar o seu sono e molhar o seu travesseiro com lágrimas de grande dor em busca de respostas.

Tarde demais, agora ela terá que conviver com o fato de que o amor chegou, tentou ficar, e agora, nem sequer um leve aroma de seu perfume ficou nos ares imediatos como lembrança da felicidade que um dia teve, mas não viu, distraída com os falsos luzeiros de uma vida fadada à solidão.

Por: Jean Charlles

O Leão de Judá
Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho. (g49:8)

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