Em local adaptado no quintal de casa, ex-entregador de peças atrai motociclistas de vários pontos da cidade

A última vez que andou de motocicleta marcou para sempre a vida do ex-entregador de peças Gilberto Cardoso Júnior, de 31 anos. Eram 10h40, do dia 11 de agosto de 2003, quando ao descer uma das alças da Avenida Ceará, próximo do Shopping Campo Grande, ele foi atingido por um veículo Fiat Palio.

A queda de moto resultou em esmagamento da medula e, com isso, ele perdeu o movimento das pernas, mas não a vontade de trabalhar.

img 8442 f7 - Cadeirante, Júnior lava motos nos mínimos detalhes e troca óleo por preços populares

No quintal de casa, no Bairro Universitário II, ele abriu, há pouco mais de um ano, um lava-jato só para motocicletas. De tão movimentado, o negócio surpreende até o próprio dono. No Lava-Moto Júnior, tudo é adaptado para a condição do proprietário.

A plataforma é baixa e as mangueiras de água e sabão ficam ao alcance dele. “Tenho clientes fiéis, como motoentregadores e mototaxistas. Eles só lavam o veículo comigo porque sou detalhista.

img 8544 f2 - Cadeirante, Júnior lava motos nos mínimos detalhes e troca óleo por preços populares

Dou um trato caprichado nas motos”, valoriza. Além disso, não cobra caro. Por 10,00, a motocicleta é lavada, depois secada, recebe cera, graxa na corrente e um “pretinho” no pneu. Só para lavar a motocicleta, ele gasta cerca de 40 minutos, em um trabalho compenetrado. Outro serviço prestado por Júnior é a troca de óleo, cujo valor varia conforme o veículo.

A média de movimento no local era de cerca de seis motociclistas por semana, mas tem subido. “No sábado passado, lavei 22 motos. No domingo, foram 15”, relembra Júnior, satisfeito com a procura.

img 8517 f14 - Cadeirante, Júnior lava motos nos mínimos detalhes e troca óleo por preços populares

“Tem gente que vem de longe, das Moreninhas, por exemplo, lavar a moto aqui.” O trabalho é algo que dá prazer e também ajuda a bancar as despesas com a reabilitação que ele faz até hoje. Graças a ela, Júnior já recuperou parte dos movimentos da perna direita. “A Medicina diz que não dá, mas eu insisto na vontade.”

Após o acidente de trabalho, Júnior passou a receber o benefício de um salário mínimo do INSS, mas não é aposentado. Por isso ele explica que é preciso administrar bem o dinheiro que entra no lava-jato. “Quando chove, por exemplo, não se tem movimento nenhum”, aponta. Bem-disposto em cima da cadeira de rodas, Júnior revela que pratica outras atividades físicas como o basquete adaptado.

img 8429 f6 - Cadeirante, Júnior lava motos nos mínimos detalhes e troca óleo por preços populares

O rapaz lembra ter ficado apavorado quando descobriu, no hospital, que não poderia mais andar. “Foi um choque, eu tinha apenas 20 anos”, relembra. “Mas hoje considero que só de sair do hospital já foi uma vitória.

Eu poderia não ter mais vida nenhuma agora”, avalia. O lava-motos de Júnior fica localizado na Avenida Souza Lima, no Bairro Universitário II, em Campo Grande. O estabelecimento funciona de terça a sexta-feira, das 7h30 às 17h30; sábados e domingos das 7h30 às 12h.

Fonte: Diário Digital

RECOMENDAMOS



O Leão de Judá
Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho. (g49:8)

COMENTÁRIOS