Evangélicos podem celebrar o Natal? É pecado usar árvore e enfeites natalinos? Até que ponto essa data pode repercutir negativamente na vida de um cristão?

Celebrar o Natal e montar árvore de natal são pecados?

O Natal é uma das maiores celebrações da Terra. É uma data que junta famílias e até continentes, com suas diferentes tradições, para comemorar o nascimento do Messias e relembrar os sentimentos de amor que devemos ter uns pelos outros.

Mas muitas igrejas e pastores acabam condenando a data, afirmando que sua origem seja pagã, e por isso não deveria ser vivida por evangélicos. Mas há correntes contrárias, como a do pastor Hermes Carvalho Fernandes, que publicou em seu blog um texto sobre o assunto. Leia e tire suas dúvidas:

“Os que argumentam que o Natal seria uma festa pagã, travestida de celebração cristã, alegam que o dia 25 de dezembro seria o nascimento de Mitra, o deus Sol. Com a adesão do imperador romano ao cristianismo, a data foi cristianizada, tornando-se a data oficial de comemoração do natal de Jesus.

Para estes, tudo isso não passa de paganismo. Algumas igrejas sequer comemoram a data. Preferem celebrar as festas judaicas, em um claro retorno às raízes hebreias e às práticas da Antiga Aliança.

Árvore de Natal tornou-se símbolo de idolatria; há quem diga até que sua silhueta lembre a imagem da Senhora Aparecida! Ok! Antes de aderir a esse modismo, que tal ponderar um pouco? Tirando Jesus do Natal, o que sobra? Como se não bastasse a figura do Papai Noel a usurpar o centro das atenções, os cristãos resolveram dessacralizar a data.

O Natal deixa de ser a celebração do nascimento de Jesus, e passa a ser… mais uma festa pagã?! O deus Sol agradece. Estamos devolvendo a ele, o que lhe foi tomado. Ora, se todos os principados e potestades foram despojados, não há, nem no tempo ou no espaço, nada que lhes pertença mais. Todas as coisas agora são d’Ele, por Ele e para Ele. Não podemos devolver ao diabo o que lhe foi tirado.

Há projetos de lei nos Estados Unidos querendo acabar com o feriado de Natal, por acreditar que sua celebração fira a liberdade de culto, menosprezando outras tradições religiosas. Muitos cristãos americanos têm se manifestado em favor da manutenção do feriado natalino. Mas no Brasil, são os próprios cristãos que resolveram tomar a contramão, e se manifestarem contrários ao Natal. Em vez de cantatas, silêncio. Em vez de peças teatrais falando do nascimento do Salvador, vazio. Nada de presentes, nem Ceia Natalina, nem árvores, nem casas decoradas… No lugar do usual “Feliz Natal”, muitos preferem dizer “Boas festas”. Até rádios evangélicas aderiram ao modismo, com receio de perder audiência dos que rejeitam a celebração.

Há, porém, uma contradição aqui. Os mesmos crentes que se recusam a celebrar o Natal insistem em celebrar a passagem do Ano Novo. Ora, se formos coerentes em nosso raciocínio, devemos adotar o calendário judeu, e deixar pra comemorar o novo ano mais tarde. Devemos adotar o ano lunar, em vez do solar. Nosso calendário solar honra o deus Sol! E o que dizer dos meses do ano? Deveríamos riscar de nossas folhinhas os meses de Julho e Agosto, pois os mesmos foram criados para honrar imperadores romanos que se diziam deuses, Júlio e Augusto.

Os mesmos crentes que se negam a celebrar o Natal, por achar que é fruto do sincretismo entre o cristianismo e o paganismo, vão para as praias festejar a entrada do Ano Novo, e montam tendas ao “Pai das Luzes”, para tentar evangelizar os espíritas que vão fazer suas oferendas aos Orixás.

Ora, se Paulo pôde enxergar em um espaço cúltico (altar) oferecido a uma divindade desconhecida, um lugar de adoração ao Deus cristão, por que não poderíamos enxergar em uma data pagã uma oportunidade de adorarmos a Deus, dando-Lhe graças por nos haver enviado Seu Filho Jesus?

O fato é que por trás dessa sórdida campanha contra o Natal há interesses inconfessáveis. Pense comigo: Celebrar o Natal envolve gastos com presentes, decoração da casa, ceia natalina, etc. Se os crentes o celebrarem, não terão dinheiro para participar daquela poderosa campanha de fim de ano, onde se rascunha o projeto de vida para o ano seguinte. Sem os gastos com o Natal, o décimo-terceiro se torna forte candidato a ser entregue como oferta na igreja.

Que Deus desperte o Seu povo para a realidade, e que voltemos a aproveitar a atmosfera natalina para dar testemunho do grande amor de Deus, que foi capaz de nos enviar o Seu único Filho para nos salvar de nossa mediocridade.

* Árvore de Natal
Alguns admitem a celebração, desde que se exclua aquilo que, segundo eles, representaria uma abominação proibida nas Escrituras. Dizem até que a árvore de natal seria um ponto de contato para os demônios. Alguns textos usados para isso são: Jeremias 10:3-4; I Reis 14:22-23; Deuteronômio 12:2-3, II Reis 17:9-10; Isaías 57:4-5, Deuteronômio 16:21 e Oséias 4:13. Trata-se da árvore natalina.

Ora, todos estes textos se referem a cultos e sacrifícios. As árvores eram usadas com este fim. Deus, então, dá um mandamento para que o povo não se volte aos rituais pagãos, feitos em torno da árvore plantada num altar igualmente pagão. Agora, se em razão de uma árvore ter sido usada em um ritual pagão significa que tenhamos que bani-la de nossas vidas ou casas, precisamos banir os gatos que eram adorados pelos antigos egípcios, as vacas, adoradas pelos hindus e todas as plantas, animais, astros ou objetos que foram frutos de adoração pagã, dentre eles o mar, o sol, a lua, as estrelas, etc.

A árvore de natal foi criada pelo reformador protestante Martinho Lutero (1483-1546), no século XVI. Conta-se que numa bela noite, Lutero olhava para o céu por entre as folhas de um pinheiro na estrada, e viu o céu estrelado sobre a copa das árvores. Levou um galho pra casa, chamou seus filhos e o decorou com velas acesas fincadas nas pontas dos ramos. Usou papéis coloridos para enfeitar e compor o que tinha visto do lado de fora.

Nascia assim a árvore de Natal. Ele apenas queria mostrar a seus filhos como teria sido a noite do nascimento de Cristo. Mais tarde acrescentaram-se as bolas de enfeite que representariam os frutos do Espírito. Aos poucos, outras coisas foram acrescentadas, como por exemplo, a tradição de colocarem-se os presentes aos pés da árvore.

A propósito, muito do que se tem dito acerca da origem da árvore de natal não passa de lenda urbana. Sinta-se livre para enfeitar sua casa, comprar seus presentes, preparar sua ceia. Afinal, foi para a liberdade que Cristo nos libertou! A todos, Feliz Natal!

“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.” Colossenses 2:15-23.”

Pastor Hermes C. Fernandes.

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