Hoje vamos falar de como enfrentar as críticas. Há uma famosa parábola chamada “o velho, o menino e o burro”, que nos ensina sobre isso. Diz a parábola que um velho, um menino e um burro caminhavam por uma estrada, indo o menino montado no animal. Ao passar por um vilarejo, as pessoas começaram a criticar, dizendo ser absurdo que um velho frágil seguisse a pé, enquanto um jovem forte ia montado.

O velho, montou também no burro, para calar as críticas e continuaram pela estrada. Mais adiante, ao passar em outro vilarejo, a crítica ouvida foi que os dois marmanjos estavam quase matando o pobre burro com uma carga muito pesada. E os dois desmontaram do burro. E continuaram a ouvir críticas em cada vilarejo pelo qual passavam, fosse qual fosse o arranjo por eles seguido. Conclui a parábola dizendo que eles chegaram no destino carregando o burro na cabeça…

Críticas sempre virão, cedo ou tarde e poderão ser justas ou injustas. Não há como evitar isso. Um bom exemplo é o caso de Moisés, criticado por seus irmãos Arão e Miriam, que estavam enciumados pelo prestígio dele junto ao povo de Israel (Números capítulo 12). E não estão isentas de críticas nem mesmo as pessoas que fazem a obra de Deus com dedicação – nunca podemos esquecer que Jesus foi criticado por curar no sábado e por comer com pecadores.

Quase todo mundo se deixa afetar pelas críticas recebidas e acaba lidando muito mal com elas. E aí fica muito fácil de vestir a máscara de injustiçado e incompreendido, ou se defender apontando para os erros e falhas das outras pessoas. É preciso despir essa máscara e aprender a enfrentar as críticas de forma madura.

O erro de preocupar-se demais com a opinião dos outros

O fato é que nos preocupamos demais com a opinião dos outros. Queremos ser amados, admirados, respeitados e nos sentimos bem quando agradamos as outras pessoas. E quando somos criticados, sentimos desconforto. E quanto mais inseguros formos em relação ao nosso próprio valor como pessoa, mais difícil fica aceitar uma crítica. Afinal, quem é inseguro passa boa parte do tempo questionando a si próprio, por isso fica doloroso aceitar ser também questionado pelas outras pessoas.

Não deveríamos nos preocupar tanto com a opinião alheia. Precisamos nos preocupar mesmo é com a opinião de Deus, pois é isso que importa de fato. Por exemplo, Deus mandou Noé construir uma arca num local seco e a obra durou muito tempo (Gênesis capítulos 6 e 7). A Bíblia não fala claramente, mas é muito provável que, durante a obra,

Noé tenha sido ridicularizado pelos vizinhos. Mas ele seguiu em frente, pois tinha recebido uma instrução clara de Deus para construir a arca. O que valeu para Noé foi a opinião de Deus.

O erro de reagir mal

Nossa reação às críticas costuma ser de dois tipos: agressividade ou fuga. A reação mais comum é se tornar agressivo, pois a crítica nos torna desconfortáveis e amargos, propensos a retaliar. E isso costuma ser feito apontando os erros de quem critica, para tentar desqualificar o oponente. E aí o tempo pode esquentar e aquilo que começou como simples crítica, facilmente superada, pode acabar numa briga séria.

A abordagem da agressividade é ruim tanto porque impede que a crítica seja tratada de forma construtiva, como também porque tende a calar as pessoas que poderiam nos fazer observações construtivas a nosso respeito.

A outra estratégia – a fuga – costuma ser adotada quando estamos cansados de brigar, deprimidos ou outra coisa assim. Nessas condições queremos simplesmente ser deixados em paz e acabamos por fugir da conversa, procurando não pensar na crítica.

O problema, nesse caso, é que não haverá espaço para avaliar a crítica com isenção e a sujeira é empurrada para debaixo do tapete. Se existe algum problema real, ele vai continuar lá, como cadáver insepulto no meio da praça. E, cedo ou tarde, o problema volta e o erro se repete.

A reação construtiva

Há quatro tipos de reações construtivas às críticas, que são bem melhores. A primeira reação é prestar atenção na crítica e ver se ela procede. Vejamos o que diz Provérbios 15:31-32:

Quem ouve a repreensão construtiva terá lugar permanente entre os sábios. Quem recusa a disciplina faz pouco caso de si mesmo, mas quem ouve a repreensão obtém entendimento.

Há críticas que são úteis e importantes. Certa vez, quando eu ainda era jovem, meu pai me alertou contra minha tendência de fazer gozação com as pessoas. Ele me alertou que eu haveria de perder amigos agindo assim. Prestei atenção à crítica e procurei mudar meu comportamento e garanto que isso foi muito útil na minha vida.

O segundo tipo de reação construtiva que podemos ter é responder às críticas, esclarecendo os críticos. E esse tipo de reação é adequado sempre que os críticos tenham boas intenções, querendo de fato ajudar, mas lhe faltarem informações para fazer uma avaliação adequada. Sua resposta, nesse caso, poderá contribuir para esclarecer os fatos e levar à superação da crítica.

A terceira reação construtiva é simplesmente deixar a crítica de lado. Mas, como isso é diferente da reação de fugir da crítica? Simples, essa abordagem é consciente. Não se trata de querer ser deixado em paz e se esconder. E sim entender que há pessoas que sempre acabarão por ver o lado ruim das coisas e até sentem prazer em criticar. E, nesse tipo de situação, a única coisa a fazer é deixar a crítica de lado.

Muitas vezes, a crítica negativa expõe as inseguranças de quem critica. Um bom exemplo disso é o do deputado federal norte-americano, que agia agressivamente contra o homossexualismo, considerando gays cidadãos de segunda ordem, até que acabou pego pela polícia numa situação comprometedora com um homem…

Pessoas negativas e extremamente críticas estão aí para ficar. Não irão embora e, se forem, serão substituídas por outras, parecidas com elas. E a pessoa negativa pode ser importante na sua vida, como seu chefe, seu colega de trabalho, seu pai/mãe, seu pastor ou seu marido/mulher. Portanto, é preciso ter muita maturidade para conseguir deixar a crítica de lado e não ser afetado por ela.

Mas, e se você ignorar a crítica e ela voltar, às vezes com mais força ainda? Aí resta o quarto tipo de reação: aguentar firme. Simplesmente esperar a tempestade passar.

Duas sugestões para conseguir lidar com as críticas

Leve em conta a fonte da crítica antes de avaliar seu conteúdo
A fonte da crítica é tão ou mais importante do que seu conteúdo. E olhar para a fonte da crítica ajuda você a estabelecer qual deve ser a reação mais apropriada.

Quando a crítica partir de pessoas que querem de fato seu bem, será sábio levar conta as observações e, ainda mais sábio, mudar, incorporando as críticas.

Quando você perceber que a crítica está apoiada em premissas ou informações erradas, encontre uma forma de responde. Mas tome cuidado de fazer isso de forma construtiva e, sobretudo, nunca caia no defensivismo que pode acabar descambando em briga.

Gideão nos deu um grande exemplo de como fazer isso (Juízes 8:1-3). A delegação da tribo de Efraim estava aborrecida porque lhes parecia que Gideão não lhes estava dando atenção suficiente. E Gideão esclareceu os críticos, dando-lhes mais informações e falando da grande apreciação que tinha pelos efraimitas. E sua resposta ajudou a superar o problema.

Escolha deixar a crítica de lado quando você tiver certeza que as motivações de quem critica não são boas. É preciso saber que você nunca vai conseguir agradar todo mundo e que, em muitas situações, as críticas não ajudam em nada. Mas, é preciso aprender a não se deixar desestabilizar pela crítica.

E quando esse tipo de crítica demorar a passar, aprenda a aguentar firme, pois, cedo ou tarde, a tempestade vai passar. E peça ao Espírito Santo que lhe traga consolo e paz. E, sobretudo, lhe mostre o que está motivando as pessoas a lhe criticaram de forma tão injusta.

Aprenda quem você é em Cristo

Você é, de fato, quem Deus diz que você é e não o que as pessoas falam por aí a seu respeito. Em Cristo, você está perdoado e está seguro/a, pois é mais do que vencedor/a. Nunca se esqueça que você não vai conseguir agradar todas as pessoas, mas pode escolher agradar a Deus.

E quando é você quem critica?

Esse é um bom momento para você refletir sobre o outro lado da moeda: como você critica os outros. Como melhorar nesse aspecto? Aí vão duas propostas para você:
Olhe para dentro de si mesmo/a
Faça uma boa reflexão sobre você mesmo e sobre sua legitimidade para criticar os outros. Lembre-se do que Jesus alertou (Lucas 6:41-42):

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, se você mesmo não consegue ver a viga que está em seu próprio olho? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”.

Assuma o compromisso com você mesmo de passar dois dias sem fazer qualquer crítica ao próximo. Procure registrar as instâncias onde precisou se conter e perceba como seu cérebro está condicionado para encontrar defeitos nos outros. E deixe esse exercício lhe ensinar que, quando não puder evitar pensamentos negativos, calar as palavras negativas já ajuda muito.

Eduque sua mente a procurar as coisas boas
Eduque seu cérebro a buscar as coisas boas nas outras pessoas. Quando encontrar algo que é bom e positivo nelas, reconheça isso tanto para você mesmo, como também para os outros. Aprenda a elogiar.

Com carinho

Por: Vinicius Moura/ Desafio de Ser Cristão

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