Por: Flávio Teixeira

Dois eventos envolvendo a espiritualidade estão sendo noticiados no Brasil.

O primeiro, diz respeito ao caso do médium José Teixeira de Faria – mais conhecido como “João de Deus”.

Desde que a coreógrafa holandesa Zahira Leeneke Maus denunciou um caso de estupro envolvendo o médium, mais de 200 outras mulheres também o denunciaram, acusando-o de abuso sexual, inclusive envolvendo menores.

Tais mulheres venceram o medo e contaram os relatos acerca dos abusos que sofreram em busca da “cura espiritual” que o médium oferecia.

Outra pessoa também venceu seus medos e abusos, mas, ao contrário das mulheres abusadas pelo médium, tornou-se motivo de piada ao dizer que, numa infância de abusos sexuais renitentes, ela viu Jesus Cristo no pé de goiaba.

O primeiro erro é rir da experiência de uma criança.

Pior ainda é rir da experiência de uma criança violentada. Eu diria que isso é desumano, mas prefiro dizer que é diabólico. O que deve ser notado, todavia, é que a criança que viu Jesus na goiabeira é cristã até hoje!

Como bom pentecostal que sou, sei que não posso normatizar a experiência dizendo que se alguém viu, todos verão Jesus no pé de goiaba. A experiência é particular, é peculiar, é sui generis.

O que é verdade, no entanto, é que se fosse um conto, certamente ela cairia na real quando crescesse, mas sua experiência na infância foi tão poderosa que lhe firmou na fé em Jesus até o dia de hoje. E mais: sem recorrer a ninguém, ela obteve sua cura emocional.

O que é interessante é que a experiência espiritual do médium nunca foi desacreditada até a descoberta dos abusos. A criança – que hoje é a adulta ministra Damares Alves – que viu Jesus, no entanto, tem sido motivo de piada por dizer que teve uma experiência espiritual. Desacreditam de uma criança e, até que nada saibam contra o médium, ele é chamado “João de Deus”, o acionador do mundo metafísico. Que nojo!

Muito cuidado com os paladinos da espiritualidade, dessa gente que arroga Deus só para eles. Os maiores charlatões são aqueles que possuem orgulho espiritual, os únicos por quem Deus pode ser acessado. Gente comum também recebe a visita de Deus, como aconteceu com José, marido de Maria.

Um homem comum que quando soube que sua noiva estava grávida, mesmo sem nunca ter tido relações com ela, não denegriu sua noiva, mas guardou sua honra e, num sonho, recebeu a visita do anjo Gabriel dizendo que sua noiva estava grávida do Espírito Santo (Mateus 1:20, 21).

Um homem comum recebendo uma visita incomum noticiando de um fato incomum.

Aconteceu com José, aconteceu com três jovens numa fornalha, aconteceu com Jacó no vau de Jaboque e nada impede que tenha acontecido com Damares Alves na infância, num pé de goiaba. A grande sacada é que da experiência somos reféns, não donos. Ela nos acontece, nós não a produzimos. A grande diferença é que, com Damares, aconteceu e isso a curou e com o médium, ele dizia “curar” e o que fez foi ferir.

Prefiro ver Jesus no pé de goiaba do que ver gente dizendo que o “de Deus” que eu carrego no nome é pura picaretagem. Eu não vi a Jesus, mas minha esperança é vê-lo.

E mesmo que ainda não o tenha visto, de uma coisa eu sei: Ele me viu!

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O Leão de Judá
Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de seus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho. (g49:8)

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