Por ocasião do Natal, nada mais apropriado do que falar dobre Maria, mãe de Jesus. É triste reconhecer que esse tema gera grande divisão entre os cristãos, ficando de um lado, os católicos e algumas outras denominações, e, do outro, os evangélicos/protestantes. Os primeiros tratam Maria com uma reverencia que frequentemente chega às raias da adoração. Os do outro lado quase nem falam dela, nem mesmo no Natal.

A causa da divergência

A Bíblia nos conta que Jesus tinha duas naturezas: uma divina e outra humana. E a divergência nasce da diferença de entendimento quanto ao papel de Maria.
Os evangélicos/protestantes – entre os quais me incluo – entendem que Maria é mãe de Jesus, ou seja, teve um papel ativo e fundamental na gestação da natureza humana dele, mas nada tem a ver com sua natureza divina. A razão para isso é que Deus é eterno e, como tal, não poderia ter uma mãe humana. Já os católicos e outros entendem que Maria também é a mãe de Jesus enquanto Deus. E, naturalmente, desse pensamento decorrem toda uma série de doutrinas importantes.

A Bíblia nunca se refere a Maria como mãe de Deus e sim como a mãe do homem Jesus, dando suporte à posição dos evangélicos/protestantes. Isso porque os ensinamentos que embasam a doutrina católica vem do chamado “magistério” da Igreja Católica, isto é, da doutrina que ela própria estabeleceu ao longo dos séculos de reflexão e ensino. E tais conceitos não são aceitos por outras denominações cristãs. Portanto, há um abismo separando essas duas visões do papel de Maria.

Agora, meu objetivo aqui não é ficar esmiuçando as razões de cada lado, mas sim corrigir uma injustiça que os evangélicos/protestantes cometem com essa mulher especial: deixar de honrá-la como ela merece.

E é fácil comprovar o que acabei de falar. Se você frequenta cultos evangélicos/protestantes, tente se lembrar da última vez em que ouviu um sermão baseado na figura de Maria. Provavelmente muito poucas vezes, se é que você ouviu algum sermão assim.

Penso que esse descaso com Maria está errado pois, se Deus escolheu essa mulher para ser a mãe de Jesus, ela não pode ter sido nada menos do que uma pessoa extraordinária.

Uma grande mulher

Para os padrões de hoje, Maria era apenas uma menina (tinha 14 ou 15 anos), quando recebeu a mensagem de Deus sobre sua gravidez de Jesus, através do anjo Gabriel. Maria estava noiva de José, mas ainda era virgem, portanto, aquela gravidez inesperada iria lhe trazer (como de fato trouxe) grandes problemas de aceitação na sociedade.
Maria vivia numa sociedade patriarcal, onde uma gravidez fora do casamento gerava um grande escândalo, e até colocava a integridade da mulher em risco. As punições a que ela estava sujeita eram bem severas e até poderiam levá-la à morte. Ao se ver inesperadamente grávida, sua única esperança seria José, seu noivo, aceitar e torna-se pai adotivo da criança sendo gestada.

Imagine uma menina submetida a esse tipo de desafio. Era de se esperar que ela ficasse com medo e pedir a Deus para não passar por aquela experiência. Mas, ela tudo de maneira muito corajosa, pois, apesar da pouca idade, tinha uma fé inabalável. Veja a resposta que ela Deu ao anjo, quando soube da gravidez (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55):

“A minha alma engrandece ao Senhor… Pois desde agora todas as gerações me considerarão bem-aventurada…“

Ao invés de olhar para os problemas à sua frente, Maria focou em Deus e se alegrou com a honra que lhe estava sendo dada, por ter sido escolhida como a mãe de Jesus.

A Bíblia conta que José, ao saber da gravidez de Maria – uma má notícia para ele – e não querendo falar mal da noiva, decidiu se afastar dela sem muito alarde. Mas, um sonho o convenceu a reconhecer Jesus como seu filho (Mateus capítulo 1, versículos 18 a 25). E isso salvou tanto Maria, quanto o bebê.

Mesmo assim, Maria teve que aprender a conviver com a desconfiança da sociedade sobre a origem de Jesus. É por isso que, em várias passagens da Bíblia, Jesus foi chamado de “filho de Maria”, título que somente era admissível numa situação onde o pai verdadeiro fosse desconhecido. Se houvesse certeza quanto à paternidade, Jesus teria sido sempre chamado de “filho de José”.

Maria deu à luz a Jesus nas piores condições possíveis. A viagem que fez, já no final da sua gravidez, indo de Nazaré a Belém (mais de cem quilômetros), montada num burrico, através de estradas esburacadas, sentindo dores e desconforto, é um testemunho da coragem dessa mulher admirável. As circunstâncias do parto, que ocorreu num simples estábulo, também foram muito difíceis. E não deve ter sido fácil para ela deitar seu primeiro filho numa manjedoura, o local onde os animais comiam.

Maria passou o restante da sua vida sabendo que estava reservado para seu filho um destino especial, conforme o anjo lhe tinha revelado. Ela o acompanhou durante seu ministério e o viu passar dificuldades e ser perseguido pelos líderes religiosos judeus. E estava presente quando Jesus foi pregado numa cruz – seu coração certamente ficou partido ao ver o sofrimento do filho. Sem dúvida, ela pagou um preço muito alto por fazer a vontade de Deus.

Neste Natal, vamos todos nós, cristãos, não importa a denominação que seguimos, lembrar com carinho e grande consideração, aquela quase menina, que não hesitou em doar seu corpo para que Jesus viesse ao mundo.

Por Vinicius Moura

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