Muitos dizem que para ter um relacionamento com Deus três coisas são fundamentais: ler a Bíblia, orar e jejuar! Mas a pergunta é: por que o jejum?

Ler a Bíblia tudo bem, óbvio que se trata de algo super importante; oração também, falamos sobre isso em um outro vídeo “Como Deus responde nossa Oração?”. Mas jejuar? Como deixar de comer pode ter alguma relação com a vida espiritual? Será que aos olhos de Deus faz alguma diferença o fato de jejuarmos ou não?

A verdade é que a Bíblia definitivamente responde sim pra essa pergunta. E neste vídeo nós vamos falar o porquê do jejum ser algo tão importante e como ele pode transformar o nosso relacionamento com Deus.

Antes de tudo nós precisamos diferenciar o que é jejum do que é um voto ou um propósito que você faz com Deus. Afinal, nem tudo aquilo que envolve abrir mão de algo, com um propósito espiritual, é um jejum. Quando nós falamos do jejum bíblico, nós estamos falando de abstenção de alimentos.

Propósitos ou votos

No caso de votos ou propósitos, muitas outras coisas podem estar envolvidas, desde deixar de praticar alguma atividade que você gosta ou até então fazer algo que você normalmente não faria. De fato, votos e propósitos, quando feitos com sabedoria agradam a Deus e devem fazer parte da nossa vida cristã (1Co 10.31). Contudo, se você fizer um voto ou um propósito, trate de cumprir aquilo que você se propôs a fazer (Mt 5.37). A Bíblia chama de tolo aquele que faz um voto e não cumpre (Ec 5.4-5), fala inclusive que é melhor não fazer um voto do que fazer e não cumprir (Dt 23.21-22).

Por exemplo, dizer pra Deus que a partir de hoje você vai acordar mais cedo todos os dias para orar pelo menos 20 minutos, não importa se é feriado, fim de semana. Sinto lhe informar, mas vai ter um dia que você vai falhar! (Tg 4.14-15) Ou então fazer um propósito de ler a Bíblia inteira em 6 meses. Aí você acabou de comprometer completamente a qualidade da sua leitura bíblica.

E os piores geralmente começam com a seguinte frase: “Se o Senhor me abençoar eu prometo fazer isso ou aquilo…” ou então… “Se o Senhor me livrar dessa eu nunca mais…” E aí nem importa como você vai terminar essa frase, pois ela já começou errada.

Então, se você se lembrou de um propósito que você fez e não cumpriu, arrependa-se, peça perdão (1Jo 1.9) e a partir de agora tome mais cuidado para não fazer propósitos precipitados (Mt 21.28-31). É muito comum se fazer propósitos em tempos de aflição, e quando a aflição passa, deixa-se o propósito de lado, isso é péssimo. Não faça votos exagerados só para mostrar o quanto você ama a Deus, cumprir um voto simples demonstra muito mais amor do que fazer votos praticamente impossíveis de se cumprir (Ec 5.2).

Lembre-se de que Deus não pede pra que façamos votos ou propósitos (Dt 23.23). O fato de Deus agir em nosso favor não está relacionado ao que nós prometemos fazer por Ele, mas sim ao que Ele pode fazer por nós, está relacionado à nossa fé em crer que Ele é capaz de reverter qualquer situação (Ef 3.20). Nossa atitude posterior deve ser fruto da nossa gratidão e principalmente da nossa obediência (Jo 14.15).

Jejum (carne vs espírito)

Mas e o jejum? Como funciona? Bom, no caso do jejum existe uma semelhança bastante óbvia, porque o jejum também é um propósito que você faz com Deus, porém, no caso do jejum, se trata de uma necessidade, nós precisamos jejuar! (Jl 2.12)

A Bíblia mostra o jejum como um sinal de dependência de Deus (Dn 9.3), onde o homem aflige sua alma (Sl 69.10), deixando de se alimentar, com o propósito de se humilhar (Sl 35.13, Ed 8.21) e buscar a Deus em oração (Ne 1.4).

Apesar da Bíblia nos dar vários exemplos da ação sobrenatural que acontece como resultado de um jejum (Mt 17.21, At 27.9), ainda sim, é algo que nós não temos como saber exatamente como funciona. Porém, se por um lado é difícil compreender a ação sobrenatural do jejum, por outro é muito simples entender o seu lado prático que é o seu efeito contra os desejos da nossa carne (Gl 5.19-21).

A Bíblia ensina que nossa carne é inimiga de Deus (Rm 8.5-7) e deseja aquilo que é contrário ao espírito (Gl 5.17).

E carne, para quem não sabe, é a nossa natureza pecaminosa se manifestando através do nosso corpo físico (Rm 8.13). São as vontades, as emoções e o intelecto da nossa alma determinando nossas ações (Gl 6.8, Ef 2.3). Por isso que aquele que permanece na carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8).

E uma das razões porque isso acontece é que com tantas emoções e desejos sendo processados na nossa alma (Rm 13.14, 1Pe 2.11), fica muito difícil ouvir a voz de Deus e consequentemente tomar as decisões corretas (Rm 7.18, Gl 5.13). E é aí que entra o jejum!

Por que o jejum funciona?

E por que o jejum funciona? Basicamente porque a alimentação é a necessidade primária do ser humano (Tg 2.15-16). Quando você está com muita fome, todas as vontades e desejos da sua alma se concentram em uma só coisa: comer! Todo o resto perde importância porque agora a prioridade é comer.

E o segredo está no fato de que durante o jejum você nega esse desejo e diz não à sua alma. E como ela não tem um outro desejo maior, ela sossega (Sl 42.11). Neste momento, tudo aquilo que era vontade da carne fica muito mais claro, e você consegue discernir melhor a voz de Deus que é ministrada através do seu espírito (At 13.2-3, At 10.9-11, At 9.8-9). A consequência é você pensar menos em você e mais em Deus, menos em você e mais nos outros. Suas orações se tornam menos egoístas (Mt 7.12), e você se concentra naquilo que realmente importa (Jo 15.16).

Jejum parcial

Por isso que retirar apenas um tipo de alimento não funciona como jejum, pois você sempre vai encontrar uma maneira de substituir aquele alimento, ou seja, não produz o mesmo efeito de um jejum completo. Se você vai se abster de alguma comida que não é fundamental para sua alimentação, é melhor considerar como um propósito e não como um jejum. E isso pode ser algo muito bom, a Bíblia inclusive dá o exemplo de Daniel (Dn 10.2-3), que ficou 21 dias sem comer nada prazeroso, todo o contexto mostra que o propósito de Daniel era semelhante a um jejum, se humilhar e buscar a Deus em oração, mas não diz que ele jejuou, quando a Bíblia fala em jejum fala de abstenção total de alimentos.

Jejum e oração

E sabendo que o jejum traz um maior discernimento, que te faz mais sensível à voz de Deus, é fundamental haver oração durante o período de jejum (Ed 8.23). Jejuar por outra pessoa, por exemplo, só faz sentido se houver oração em favor da pessoa (Tg 5.16). Inclusive, um jejum sempre deve começar com uma oração, pois é quando você vai receber a direção de Deus em relação ao propósito e ao tempo desse jejum.

Como fazer o jejum?

E assim como votos e propósitos, não quebre o jejum! Se você nunca fez um jejum com propósitos espirituais, a dica é começar gradualmente, sem exageros. De repente retirar uma refeição que você está acostumado a fazer ou então estabelecer uma quantidade de horas sem se alimentar, o importante durante o jejum é você se sentir em jejum (Rm 14.22), e isso varia de pessoa pra pessoa. Aliás, o jejum é algo tão particular que a Bíblia recomenda que você nem fale para os outros que está jejuando (Mt 6.16-18), mas também o jejum não chega a ser um segredo, afinal quando te oferecerem comida ou no caso de um jejum coletivo (2Cr 20.3, Et 4.16), não tem problema nenhum as pessoas saberem que você está jejuando.

Jesus Cristo jejuou (Mt 4.2), os grandes homens de Deus (Lc 7.33, 2Sm 12.16) e os líderes da igreja primitiva jejuavam (At 14.23) e nós também devemos jejuar.

O jejum não faz com que Deus tenha mais ou menos compaixão de nós, na verdade o jejum trabalha o nosso caráter (Rm 6.19), revelando as preocupações fúteis da nossa alma (1Co 3.1-3) e deixando muito mais claro o que verdadeiramente importa (1Pe 4.1-2). Jejuar é uma forma de expressar a nossa dependência de Deus (Tg 4.7-10) e o quanto nós ansiamos pela segunda vinda de Cristo (Mc 2.20).

Fonte: Vai na Bíblia

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