“Se em nome de Cristo eles destroem, em nome de Cristo nós vamos reconstruir”

O terreiro de Conceição d’Lissá, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, existe há 17 anos e nos últimos meses, tem recebido ajuda de evangélicos, que estão ajudando a reconstruir o lugar de encontro entre praticantes do candomblé, depois te ser sido parcialmente destruído por um incêndio. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do estado (Conic-Rio), organizou uma campanha de arrecadação para a reconstrução do templo no ano passado e, até agora mais de 12 mil reais já foram arrecadados.

Em tempos de intolerância religiosa, iniciativas como esta enchem nossos corações de esperança, afinal, as diferenças religiosas devem ser respeitadas. Uma das pessoas envolvidas na reconstrução do lugar, é a pastora Lusmarina Campos, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Em entrevista à BBC, ela diz que casos de intolerância e violência em nome da religião não falam em nome de Cristo: “Se em nome de Cristo eles destroem, em nome de Cristo nós vamos reconstruir. É extremamente importante dar um testemunho positivo da nossa fé, porque o Cristo que está sendo utilizado para destruir um terreiro está sendo completamente mal interpretado”.

Só este terreiro já sofreu 8 ataques e, todos eles possuem cunho religioso, já que não há nenhum roubo, apenas destruição. Incêndios culposos, tiros disparados e carros de candomblecistas queimados são apenas alguns exemplos de como as diferenças religiosas não estão sendo respeitadas, na maioria das vezes, por falta de informação e pura intolerância. Segundo a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, no ano passado, 71,5% dos casos de intolerância religiosa registrados no Rio de Janeiro foram contra grupos de matriz africana.

pastora01 - Pastora ajuda a reconstruir terreiro destruído

O Censo de 2010 estima que no Brasil existam 600 mil devotos de crenças de origem africana e estes ataques existem no país inteiro. Ivanir dos Santos é interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e afirma que quem comete esses atos geralmente são “os traficantes instrumentalizados por grupos neopentecostais que atacam os templos religiosos nas periferias e favelas”.

A discriminação em relação às religiões de origem afro, no entanto, está presente em boa parte dos brasileiros, que acredita ser algo do mal. “O candomblé sofre preconceito desde que era a religião professada pelos nossos antepassados, que vieram para o país escravizado”, afirma Conceição, uma das donas do terreiro.

Assim como qualquer religião, as de matriz africana possuem o direito de existir e devem ser respeitadas. As diferenças merecem ser abraçadas e não, condenadas: “Quando eles vêm dar essa ajuda pra gente, é justamente uma forma de reconhecer que, primeiro, a gente sofre o ataque. Depois, é reconhecer que a gente tem o direito de existir e professar o nosso sagrado”, completa Conceição.

Com informações de BBC

Fotos: Ana Terra / BBC Brasil

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