Quantas vezes nos deparamos indignados diante da sensação de impotência que a morte nos trás. Morte de quem quer que seja: de um ente querido, um filho, um pai, um irmão ou até de uma celebridade, alguém que foi cedo demais, que sofreu muito para então morrer, ou alguém que teve sua vida abreviada por um acidente, uma doença fatal ou mesmo por motivos de desgraças como guerra, fome, ataques da natureza.

Aprendemos desde cedo que ‘em tudo temos que dar graças’, mas quando nos encontramos com a morte a indignação, uma indignação certa, que nos dá a certeza que vem do coração de Deus, nos assola. E temos convicção de uma única coisa: o ser humano nasce para ser eterno.

Desde que o homem (genericamente falando – homem e mulher) foi expulso do Jardim que havia no Éden, que lhe dava o privilégio de viver com Deus e viver sempre, a humanidade busca desenfreadamente não morrer ou, ainda melhor, viver eternamente. É essa a promessa que o Messias nos trouxe – de vida eterna – de não perecer (Jo 3.16).

O fato é que, do primeiro casal para cá, não somente perdemos a prerrogativa da imortalidade como também alguns séculos de vida, pois dizem que Adão teria morrido aos 930 anos. Desde então, a pessoa que, comprovadamente, viveu mais tempo, ao menos nessa era, foi a francesa Jeanne-Louise Calment, morta em 1997, aos 122 anos –sinalizando que esse seria aproximadamente o limite de sobrevivência do corpo humano. Vemos essa incessante busca por eternidade, nas narrativas bíblicas, com promessa de Deus de fazer de Abraão uma grande nação e que sua semente jamais teria fim, e seria muito além do que as estrelas dos céus e a areia que cobre o mar.

Vemos isso também na ciência, tentando sobremaneira perpetuar a espécie e, além disso, perpetuar a existência do homem, como um único ser, sobre a terra. Muitas são as experiências de tentar perpetuar a própria espécie. O biogerontologista inglês Aubrey de Grey está convencido de que o envelhecimento é um processo biológico que pode perfeitamente vir a ser controlado, da mesma forma que a ciência já conseguiu combater muitas doenças que antes eram tidas como incuráveis. De Grey, que é formado em ciência da computação, mas se tornou um dos principais teóricos do mundo em longevidade humana, trabalha atualmente no Departamento de Genética da Universidade de Cambridge.

Para estimular as pesquisas sobre a longevidade, De Grey criou há alguns anos a Fundação Matusalém, cuja principal atividade é promover um concurso para premiar a equipe de cientistas que conseguir prolongar por mais tempo a vida de uma espécie de camundongo comumente utilizada em experiências em laboratório. O recordista atual é um exemplar que viveu 1.819 dias, o dobro da média desse animal. A intenção de De Grey é que os resultados obtidos com camundongos chamem a atuação de empresas dispostas a investir na pesquisa sobre a longevidade humana.

Se tudo ocorrer conforme prevê o cientista inglês, em dez anos a ciência conseguirá prolongar significativamente a vida de camundongos. E, aplicando-se o conhecimento adquirido com essas experiências, até 2030 já será possível aumentar a expectativa de vida do homem para algo em torno de 130 anos – quase o dobro da média mundial atual. De Grey vai mais longe em seus prognósticos para lá de otimistas. Em um artigo disse acreditar que a primeira pessoa a viver até 1.000 anos já está entre nós e tem hoje por volta de 60 anos.

Outra grande pesquisa científica fala sobre a transferência de consciência para a memória de um computador, onde a pessoa passa a viver. O filme Transcedence, que estreia no Brasil em maio, conta a história do Dr. Will Caster (Johnny Deep), um famoso pesquisador de inteligência artificial assassinado por terroristas. Ao morrer, começa a fazer parte de sua própria pesquisa e tem sua consciência transferida. Outra forma, porém, de perpetuar a vida e vencer a morte que está sendo pesquisada por cientistas de todo o mundo. A ideia é, sim, possível e já existe uma comunidade científica que é capaz de colocar data para o feito: 2045.

Ele fez tudo apropriado a seu tempo

Mas, e biblicamente, onde podemos nos assegurar? A vida eterna prometida nas Sagradas Escrituras, nada tem a ver com a tecnologia que pretende nos tornar cada vez mais velhos, mais saudáveis e imortais. Deus não nos fez mortais, mas nos criou com o Seu divino desejo de viver para sempre, ao seu lado, na eternidade. E na eternidade, ao lado do Eterno, pouco tem a ver com ser eterno e viver com a eternidade em si. Quando, ao fazer o homem de barro, Deus lhe soprou vida e espírito nas narinas, transferiu, também, características divinas, da Trindade e que sentimos durante nossa breve passagem pela vida. Transfere amor abundante, daqueles que não sabemos de onde tiramos. Transfere-nos também, o senso de justiça e paz, que buscamos incessantemente.

E nos transfere a fagulha, a centelha de eternidade que não nos deixa aceitar, de forma pacífica, a morte. (Ecl 3.11) Desde a torre de Babel, quando o homem intentou chegar a Deus e ser único com o Eterno, até os dias de hoje, quando pesquisas sobre clonagem, transferência de memória e célula tronco para aumentar a expectativa de vida, o homem tenta se aproximar de Deus, mas não para ter um relacionamento com Ele ou ser Dele, mas para ser Ele e se igualar ao máximo ao Eterno, sem entender, porém, que nossa eternidade está em sermos Dele e aceitarmos que o tempo de Deus é perfeito, o nosso, é limitado.

Mas, então, por que o desejo de ser eterno?

A bênção que o Senhor nos deu de querer e ansiar pela eternidade não é sem propósito. O desejo de eternidade implica em algumas conclusões que nos alegra e pacifica o coração:

1. Não ficaremos separados do Criador:Deus jamais nos deixará separados Dele. Temos uma eternidade que não será tirada de nós, mesmo com a separação física. Nós,
os eleitos, não teremos a morte espiritual e assim não seremos separados da comunhão com o Criador.

2. Lugar eterno de habitação: Deus nos preparará um repouso. Hebreus 4.11 nos relata isso e essa eternidade gera algo de especial.Habitaremos para sempre com o Senhor e cantaremos um cântico ao Cordeiro de Deus na eternidade. Voltaremos ao Éden em nosso coração e estaremos para sempre com o Criador, no paraíso. Em seu livro “O livro mais mal humorado da Bíblia”, Ed René Kivitz cita Marquês de Maricá, quando sabiamente afirma: “A criatura sensível e inteligente, que chegou a adorar, amar e admirar a Deus, não pode ser inteiramente mortal: há nela alguma coisa de divino que sobrevive até mesmo à morte”.

Kronos e Kairós

O que mais nos assombra, enquanto seres dotados de almas e com espírito eterno (soprado por Deus), é o tempo. Cruel e devastador o Kronos (tempo cronológico, dotado
de dias, meses, anos) não para e, se não vivemos o tempo de Deus – o Kairós do Senhor – apenas passamos o tempo. Já o Kairós, é o tempo suplantado pelo Senhor, que faz tudo apropriado a seu tempo. Por isso, ele nos soprou a eternidade e nos dotou do anseio pela eternidade. Mas, mesmo assim, não entendemos inteiramente o que Deus faz, pois confundimos tempos e tempos, e queremos ser eternos aqui, e agora.

Jovens demais…

Enquanto isso, pastores, evangelistas, missionários e verdadeiros homens de Deus, se recusam a envelhecer. Assim como Calebe, ao entrar na Terra Prometida e reivindicar sua parte em Canaã, ao ser arguido por Josué a não guerrear contra o povo que estava na terra, por conta de sua idade, argumentou: “E agora eis que o SENHOR me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos são passados, desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; e ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar”. Js 14:10-11.

Fonte: Exibir Gospel

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